Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Questionário a Sophia de Mello Breyner

P.: Sabemos que tirou um curso de filologia clássica, o que a levou a entrar nesse curso?

R.: Desde pequena que sempre gostei de escrever e o curso de filologia veio aprofundar mais a minha paixão pelas palavras portuguesas.

 

P.: A maioria dos seus livros são dirigidos a crianças, em que ou em quem, se baseou para escrever este tipo de livros?

R.: As minhas primeiras histórias foram principalmente, as histórias que inventei para os meus filhos, quando os queria adormecer. Existem ainda algumas histórias que me contaram, histórias essas em que eu acrescentei alguns pormenores. Foi daí que vieram as minhas histórias.

 

P.: Acha que a participação em Cadernos de Poesia foi uma experiência de crescimento a nível literário?

R.: Foi uma experiência muito gratificante, pois foi um trabalho com uma participação de pessoas muito importantes na poesia, o que me levou a acrescentar mais um pouco à minha literatura poética.

 

P.: Quais os prémios que recebeu?

R.: Alguns, mais os mais importantes foram o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (1994), o Prémio Camões e o Prémio Pessoa (ambos em 1999) e o Prémio Rainha Sofia da Poesia Ibero-Americana (em Junho de 2003).

 

P.: quando foi o seu primeiro encontro com a poesia?

R.: Foi quando tinha 3 anos.

 

P.: Se nos permite perguntar, de onde vem o nome Andersen?

R.: Esse nome veio do meu bisavô Jan Henrik, que era dinamarquês, que chegou ao Porto (onde nasci) no século passado.

 

P.: Como e com quem se começou a interessar pela poesia?

R.: Comecei a interessar-me pela poesia quando o meu avo Thomar me lia poesia.

 

P.: Sabemos que formou uma “relação vital” com a poesia, pode nos explicar porquê?

R.: porque na altura em que me comecei a interessar pela poesia, para mim, dizer de cor os poemas de Camões ou Antero eram tão naturais como andar de bicicleta ou ate tomar banho.

 

P.: O que é para si maltratar a palavra?

R.: É saltar as vogais o que acima de tudo torna a linguagem praticamente incompreensível e desprovida de qualquer musicalidade. Quem não sabe falar com todas as vogais é porque não é de todo educado. Antigamente encontrávamos maneiras de falar belas e harmoniosas. Hoje na rádio e na televisão raramente aparecem pessoas que falem de uma maneira clara. Por isso toda a população está cada vez a falar pior.

 

P.: Considerada como uma grande escritora, você teve alguma influência paterna (tirando o caso do seu avô)?

R.: Penso que sim, pois minha mãe era uma grande leitora.

 

P.: Sendo sua mãe leitora, porque se interessou mais pela escrita?

R.: Pois, minha mãe me repreendia muitas vezes por causa disso, e nem eu própria sei muito bem porque, acho simplesmente que não há tempo para tudo e é preciso estar livre para olhar e para saber. Lembro-me também que costumava dizer à minha mãe que era escritora não leitora (tinha 12 anos, nessa altura)!

 

P.: Onde, quando e qual foi o seu livro de estreia?

R.: Lembro-me perfeitamente que foi no Porto, em 1944, o livro chamava-se “Poesia” e teve uma expedição de 300 exemplares.

 

P.: Quando foi a 1ª vez que publicou os seus poemas?

R.: Foi pela mão de Luís Forjar Trigueiros, em 1940 na primeira série de Cadernos de Poesia.

 

P.: O seu livro Mar Novo teve alguma razão própria para ser publicado?

R.: De facto, teve. Publiquei Mar Novo como uma resposta poética contra o afastamento do projecto Mar Novo do meu irmão arquitecto, João Andersen.

 

P.: Também publicou muitos livros para crianças, não é verdade?

R.: Sim, lembro-me principalmente das traduções magníficas de Dante Alighieri e Shakespeare.

 

P.: Observamos outras entrevistas suas, e gostávamos de saber porque diz que as pessoas se dividem?

R.: Digo porque é aquilo que penso que é verdade, pois as pessoas dividem-se nas que têm medo e nas que não têm. Costumo dizer também que essa forma absoluta de estar diante do mundo à espera das coisas belas tem que ser feita sem medo.

 

 

P.: Tem memória dos seus primeiros versos? Lembra-se de onde e quando os escreveu?

R.: Como tive a sorte de na minha infância antes de saber ler e escrever, me ensinarem a decorar a “Nau Catrineta”, alguns sonetos de Camões e sonetos de Antero, comecei cedo a tentar escrever. Ate me lembro de inventar põe, mas com palavras inventadas por mim. Mas o dia em que comecei mesmo a escrever foi num dia de Primavera, teria eu 14 anos.

 

P.: Qual o primeiro livro de que se lembra?

R.: O primeiro livro de que lembre de ter lido, se bem me lembro, foi “As Férias” da Condessa de Ségur.

 

P.: Quais os livros que ainda hoje lhe fazem companhia?

R.: Da minha infância continuam a fazer-me companhia os poemas que aprendi de cor, como a “Nau Catrineta” e muitos outros contos, contos tradicionais portugueses e estrangeiros. No princípio da adolescência descobri a “Odisseia”, a “Ilíada”. Aliás, eu lia freneticamente e os livros que me contaram e que ainda hoje me escoam na minha memória são muitos, desde o J. Verne ao Emílio Salgari.

                                                                   

P.: Reparamos que tem vários contos para crianças, foram todos contos de sua infância que mais tarde rematou?

R.: Uns sim, outros não. A Menina do Mar, por exemplo, foi inspirada num conto que a minha mãe ma contava quando vivíamos na casa do mar, eu teria nessa altura 5 anos. Quando os meus filhos eram pequenos, depois de eu ter contado todas as histórias que sabia de cor, comecei a ler uns livros, mas a sua linguagem era muito sentimental e irritante e foi então que comecei a escrever, inventando a partir desses livros, as minhas histórias. Foi a minha tia que me contou a lenda do Cavaleiro da Dinamarca. No livro A Árvore existem duas histórias japonesas: uma que li na minha infância e outra que me foi contada pelo escritor Zsao Tesuko. Comigo resulta um provérbio “quem conta um conto, acrescenta um ponto”.

 

Fontes:

          -Jornal "O Público"

          -Internet

 

 

publicado por sonhosdesophia às 23:43
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