Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

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publicado por sonhosdesophia às 08:53
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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

O que pensam de Sophia

   Queriamos conhecer melhor a Sophia de Mello Breyner Andersen e para isso nada melhor do que saber o que as outras pessoas pensam e dizem sobre a autora. Depois de uma pesquisa encontramos opiniões de diversa pessoas, desde Manuel Alegre aos próprios filhos da autora.

 

 

 

Da lusitana antiga fidalguia

um dizer claro e justo e franco

uma concreta e certa geometria

uma estética do branco

debruado de azul.

 

Sua escrita é de nau e singradura

e há nela o mar o mapa a maravilha.

 

Sophia lê-se como quem procura

a ilha sempre mais ao sul.

 

Manuel Alegre

 

 

Vejo-te sempre vertical num apogeu azul

em que celebras as coisas e pronuncias os nomes

com a claridade das cúpulas e das evidências solares

Em ímpetos claros vais figurando o cristal

que dos actos transferes para as palavras límpidas

(…)

És o dia a claridade do dia dominado

e de cimo em declive és o oriente amanhecendo

Frágil é o teu poder? Frágil e perfeitíssimo

(…)

 

António Ramos Rosa

 

 

 

Sinónimo absoluto de poesia

 

Dizemos «Sophia» como se esta palavra fosse sinónimo absoluto de poesia.

Dizemos «Sophia» e a nossa memória enche-se do som que as palavras têm.

Dizemos «Sophia» e de repente o ar é límpido, as águas transparentes, há sempre uma casa na falésia e o sol faz rebentar o calor na cal das paredes.

Dizemos «Sophia» e todas as flores e todos os peixes têm nome, e as crianças tornam-se mais ricas quando os encontram. Dizemos «Sophia» e não precisamos de dizer mais nada.

 

Alice Vieira

 

 

Ao falar de Sophia ocorrem-me duas ordens: a dos deuses e a dos homens. Ela participa de ambas. De onde o «ph» dela que todos aceitamos. Não só a sabedoria, a totalidade do saber, a claridade, aquela leveza e sentido extremo do espírito cívico e da lealdade. Vejo a Sophia dançando num trono invisível, acertando sempre quando é preciso acertar e, brincando, dizendo verdades terríveis, com a pontaria cega das crianças e dos loucos. Além disso, cozinha bem, tem umas pernas muito bonitas, faz-me sempre rir. Imagino que se Camões tivesse uma princesa preferida, ela seria a Sophia.

 

Margarida Gil

 

 

Apego às coisas essenciais

 

Mais do que o conhecimento, a minha mãe transmitiu-nos, desde a infância, o apego intransigente às coisas essenciais da alegria de viver: o bom pão, o bom vinho, o mar, o Verão, a luz. Essa é uma herança preciosa. Porque essa é, na verdade, a base do conhecimento e da vida.

 

A minha mãe ainda hoje, com 80 anos, tem uma maior avidez de mar ou de luz do que de mais livros. E vive com a mesma intensidade todas essas coisas essenciais. Sobretudo, vive com a mesma fúria cada instante. Porque ela não é depressiva ou melancólica. Pelo contrário, ela enfrenta com fúria – uma vez mais, é essa a palavra – todas as perdas. Essa forma de viver, de amar cada instante que a vida nos dá, contagiou-nos profundamente.

 

Maria Sousa Tavares

 

 

 

Sophia Andresen, ao falar de justiça, de liberdade, de plenitude, está simultaneamente a falar de ritmos; está a excluir léxico; está a incluir organizações de tecidos vocabulares por onde o pano do discurso se desfralda em tela de prodígios.

 

Joaquim Manuel Magalhães

O Independente, 23/2/90

 

 

 

O mundo de Sophia é povoado por deuses e não por homens. Por isso, é mais fácil encontrá-lo nos vestígios e nos lugares da civilização grega do que no mundo em que habitamos. Por vezes, esta poesia chega a ser de uma profunda desumanidade:

sonhando com a perfeição, o equilíbrio e a harmonia (...) ergue-se para além do mal e da imperfeição que nos são consubstanciais e faz reviver um tempo sem mácula. (...) É aí que a poesia se dá como revelação e como relação com o Todo, como uma espécie de linguagem natural que decorre simbolicamente das coisas. (...) Impossível não sermos tocados pela força bem perceptível desta positividade. Sophia faz-nos sentir o júbilo de uma poesia que avança contra ou à margem do sentido negativo da História (...) e atribui ao poeta a sua missão original de celebração.

 

António Guerreiro

Expresso, 15/7/89

 

É dessa aliança entre a misteriosa graça das musas e o exigente rigor de uma ética muito antiga que vive a escrita de Sophia, sempre bem ciente da degradação do "tempo dividido" que nos cabe, mas insistindo em celebrar o que resiste

 

Fernando Pinto do Amaral

Público, 24/12/94

 

 

 

   Miguel Sousa Tavares, filho de Sophia lembra-se que quando a casa à noite estava, meia adormecida, a mãe dançava pela sala, tal como escreveu (“bailarina fui mas nunca bailei”). Miguel recorda que às vezes a mãe o acordava para espreitar debaixo da cama para ver se haviam ladrões, por vezes havia, davam-se pelo nome PIDE, mas a sua mãe não tinha medo deles, apenas tinha medo de fantasmas.

   Sohia tratou de ensinar as bases sobre poesia aos filhos, ensinou-lhes foi que os poetas eram todos personagens extraordinárias e que a poesia que aprendemos é para ser dita e para ser escutado: é oral, não cabe nos livros.

   Miguel recorda ainda que passavam horas e horas a escutar a mãe a ler os poemas mais bonitos.

 

Miguel Sousa Tavares

Público 10/07/2004

 

 

 

Obrigado pela sua obra

 

O Prémio Camões é hoje, sem dúvida, o reconhecimento maior e mais nobre que um escritor de língua portuguesa pode receber na sua área linguística. A obra de Sophia, pela sua regularidade, pelo seu equilíbrio, pela sua nobreza, pela sua pureza, justifica inteiramente o prémio.

 

Os leitores de Sophia, e contam-se por muitos milhares, de todas as idades e de todas as formações, que conhecem a música dos seus poemas e, frequentemente, os sabem de cor, não deixarão de regozijar-se por esta decisão, que os identifica com um prémio que é de todos nós que falamos português. A Editorial Caminho, que publica a obra poética de Sophia, associa-se naturalmente a este coro de aprovações. Parabéns, Sophia, pelo prémio. E obrigado. Obrigado pela sua confiança em nós, obrigado pela sua obra.

 

Zeferino Coelho

Jornal de Letras, Artes e IdeiasL, 16 de Junho de 1999

    

 

Fonte:

            -http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/SophiaMBreyner.htm

publicado por sonhosdesophia às 17:04
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Questionário a Sophia de Mello Breyner

P.: Sabemos que tirou um curso de filologia clássica, o que a levou a entrar nesse curso?

R.: Desde pequena que sempre gostei de escrever e o curso de filologia veio aprofundar mais a minha paixão pelas palavras portuguesas.

 

P.: A maioria dos seus livros são dirigidos a crianças, em que ou em quem, se baseou para escrever este tipo de livros?

R.: As minhas primeiras histórias foram principalmente, as histórias que inventei para os meus filhos, quando os queria adormecer. Existem ainda algumas histórias que me contaram, histórias essas em que eu acrescentei alguns pormenores. Foi daí que vieram as minhas histórias.

 

P.: Acha que a participação em Cadernos de Poesia foi uma experiência de crescimento a nível literário?

R.: Foi uma experiência muito gratificante, pois foi um trabalho com uma participação de pessoas muito importantes na poesia, o que me levou a acrescentar mais um pouco à minha literatura poética.

 

P.: Quais os prémios que recebeu?

R.: Alguns, mais os mais importantes foram o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores (1994), o Prémio Camões e o Prémio Pessoa (ambos em 1999) e o Prémio Rainha Sofia da Poesia Ibero-Americana (em Junho de 2003).

 

P.: quando foi o seu primeiro encontro com a poesia?

R.: Foi quando tinha 3 anos.

 

P.: Se nos permite perguntar, de onde vem o nome Andersen?

R.: Esse nome veio do meu bisavô Jan Henrik, que era dinamarquês, que chegou ao Porto (onde nasci) no século passado.

 

P.: Como e com quem se começou a interessar pela poesia?

R.: Comecei a interessar-me pela poesia quando o meu avo Thomar me lia poesia.

 

P.: Sabemos que formou uma “relação vital” com a poesia, pode nos explicar porquê?

R.: porque na altura em que me comecei a interessar pela poesia, para mim, dizer de cor os poemas de Camões ou Antero eram tão naturais como andar de bicicleta ou ate tomar banho.

 

P.: O que é para si maltratar a palavra?

R.: É saltar as vogais o que acima de tudo torna a linguagem praticamente incompreensível e desprovida de qualquer musicalidade. Quem não sabe falar com todas as vogais é porque não é de todo educado. Antigamente encontrávamos maneiras de falar belas e harmoniosas. Hoje na rádio e na televisão raramente aparecem pessoas que falem de uma maneira clara. Por isso toda a população está cada vez a falar pior.

 

P.: Considerada como uma grande escritora, você teve alguma influência paterna (tirando o caso do seu avô)?

R.: Penso que sim, pois minha mãe era uma grande leitora.

 

P.: Sendo sua mãe leitora, porque se interessou mais pela escrita?

R.: Pois, minha mãe me repreendia muitas vezes por causa disso, e nem eu própria sei muito bem porque, acho simplesmente que não há tempo para tudo e é preciso estar livre para olhar e para saber. Lembro-me também que costumava dizer à minha mãe que era escritora não leitora (tinha 12 anos, nessa altura)!

 

P.: Onde, quando e qual foi o seu livro de estreia?

R.: Lembro-me perfeitamente que foi no Porto, em 1944, o livro chamava-se “Poesia” e teve uma expedição de 300 exemplares.

 

P.: Quando foi a 1ª vez que publicou os seus poemas?

R.: Foi pela mão de Luís Forjar Trigueiros, em 1940 na primeira série de Cadernos de Poesia.

 

P.: O seu livro Mar Novo teve alguma razão própria para ser publicado?

R.: De facto, teve. Publiquei Mar Novo como uma resposta poética contra o afastamento do projecto Mar Novo do meu irmão arquitecto, João Andersen.

 

P.: Também publicou muitos livros para crianças, não é verdade?

R.: Sim, lembro-me principalmente das traduções magníficas de Dante Alighieri e Shakespeare.

 

P.: Observamos outras entrevistas suas, e gostávamos de saber porque diz que as pessoas se dividem?

R.: Digo porque é aquilo que penso que é verdade, pois as pessoas dividem-se nas que têm medo e nas que não têm. Costumo dizer também que essa forma absoluta de estar diante do mundo à espera das coisas belas tem que ser feita sem medo.

 

 

P.: Tem memória dos seus primeiros versos? Lembra-se de onde e quando os escreveu?

R.: Como tive a sorte de na minha infância antes de saber ler e escrever, me ensinarem a decorar a “Nau Catrineta”, alguns sonetos de Camões e sonetos de Antero, comecei cedo a tentar escrever. Ate me lembro de inventar põe, mas com palavras inventadas por mim. Mas o dia em que comecei mesmo a escrever foi num dia de Primavera, teria eu 14 anos.

 

P.: Qual o primeiro livro de que se lembra?

R.: O primeiro livro de que lembre de ter lido, se bem me lembro, foi “As Férias” da Condessa de Ségur.

 

P.: Quais os livros que ainda hoje lhe fazem companhia?

R.: Da minha infância continuam a fazer-me companhia os poemas que aprendi de cor, como a “Nau Catrineta” e muitos outros contos, contos tradicionais portugueses e estrangeiros. No princípio da adolescência descobri a “Odisseia”, a “Ilíada”. Aliás, eu lia freneticamente e os livros que me contaram e que ainda hoje me escoam na minha memória são muitos, desde o J. Verne ao Emílio Salgari.

                                                                   

P.: Reparamos que tem vários contos para crianças, foram todos contos de sua infância que mais tarde rematou?

R.: Uns sim, outros não. A Menina do Mar, por exemplo, foi inspirada num conto que a minha mãe ma contava quando vivíamos na casa do mar, eu teria nessa altura 5 anos. Quando os meus filhos eram pequenos, depois de eu ter contado todas as histórias que sabia de cor, comecei a ler uns livros, mas a sua linguagem era muito sentimental e irritante e foi então que comecei a escrever, inventando a partir desses livros, as minhas histórias. Foi a minha tia que me contou a lenda do Cavaleiro da Dinamarca. No livro A Árvore existem duas histórias japonesas: uma que li na minha infância e outra que me foi contada pelo escritor Zsao Tesuko. Comigo resulta um provérbio “quem conta um conto, acrescenta um ponto”.

 

Fontes:

          -Jornal "O Público"

          -Internet

 

 

publicado por sonhosdesophia às 23:43
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007

Biografia

Sophia de Mello Breyner Andersen é uma escritora natural do porto, nascida em 1919. A sua infância e adolescência decorreram entre o Porto e Lisboa, onde cursou Filologia Clássica. Foi casada com o jornalista Francisco Sousa Tavares e muda-se para Lisboa, passando a dividir a sua actividade entre a poesia e a actividade cívica. Estreou-se em 1941 com a colaboração em Cadernos de Poesia e em 1944 publicou a sua própria colectânea intitulada Poesia.
A sua poesia ergue-se como a voz da liberdade, especialmente em "O Livro Sexto".
Os seus cinco filhos motivaram-la a escrever contos infantis.
As preocupações de foro social não estão todavia ausentes, sobretudo a partir de “Livro Sexto”, tendo encontrado vaocações do passado para sugerir trasformação no futuro; pela sua constante atenção aos problemas do homemm e do mndo, criou uma literatura de empenhamento so cial e político, de compromisso com o seu tempo e denuncia da injustiça e da opressão.
Foi distinguida com os prémios seguintes:
·        Grande Prémio de Poesia da Sociedade Portuguesa de Escritores, 1964 (Canto Sexto)
·        Prémio Teixeira de Pascoaes, 1977 (O Nome das Coisas)
·        Prémio da Crítica, da Assoc. Internacional de Críticos Literários, 1983 (pelo conjunto da obra)
·        Prémio D. Dinis, da Fundação da Casa de Mateus, 1989 (Ilhas)
·        Grande Prémio de Poesia Inasset/Inapa, 1990 (Ilhas)
·        Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças, 1992 (pelo conjunto da obra)
·        Prémio 50 Anos de Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores, 1994
·        Prémio Petrarca, da Associação de Editores Italianos
·        Homenageada do Carrefour des Littératures, na IV Primavera Portuguesa de Bordéus e da Aquitânia, 1996.
·        Prémio da Fundação Luís Miguel Nava, 1998 (pelo livro O Búzio de Cós e Outros Poemas)
·        Prémio Camões, 1999 (pelo conjunto da obra) 
·        Prémio Rosalia de Castro, do Pen Club Galego, 2000
·        Prémio Max Jacob Étranger, 2001
·        Prémio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana, 2003
Destaca-se nas suas obras as narrativas:”O cavaleiro da Dinamarca”, “O rapaz de bronze”, “A fada Oriana”, “Contos Exemplares” e “Histórias da Terra e do Mar” e ainda nas obras poéticas: “No Tempo dividido”, “ Nome das coisas”, “Musa”, “O Búzio de Cós e outros.

Foto biografia da autora

A autora durante a sua adolescência

A autora na adolescência.

 

Sophia e os quatro filhos 

Sophia com os filhos: Maria. Isabel e Miguel.

 

Obras de Sophia

 
No Tempo Dividido, 1954
Mar Novo, 1958
O Cristo Cigano, 1961
Contos Exemplares, 1962
O Livro Sexto, 1962
Geografia, 1967
Antologia, 1968
Porto, 1985
Grades (antologia de poemas da resistência), 1970
Dual, 1972
O Nome das Coisas, 1977
Navegações, 1983
Ilhas, 1989
Histórias da Terra e do Mar, 1989
Obra Poética, 1990-1991
Musa, 1994
Signo, 1994
O Búzio de Cós, 1997
 
Literatura infantil:
 
O Rapaz de Bronze, 1956
A Menina do Mar, 1958
A Fada Oriana, 1958
Noite de Natal, 1960
O Cavaleiro da Dinamarca, 1964
A Floresta, 1968
O Tesoura, 1978
A Árvore, 1985
 
Ensaio:
 
Cecília Meireles, 1958
Poesia e Realidade, 1960
A Nú na Antiguidade Clássica, 1975

Fonte:

  • livro de biografias
  • http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/SophiaMBreyner.htm#Biografia
  • Jornal Público, 10 Julho 2004
publicado por sonhosdesophia às 23:03
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